Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
como diagnosticar e tratar?
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
Como diagnosticar e tratar?
Em resposta a pergunta realizada, Drª. Cinthia Réus Coelho, médica psiquiatra em Criciúma – SC e fundadora da Clínica Cinthia Coelho, nos termos do DSM-5, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade ( TDAH ) é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por níveis prejudiciais com seis ou mais sintomas de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade.
Existem três tipos:
1- Os predominantemente desatentos;
2- Os predominantemente hiperativos/impulsivos;
3- Os do tipo combinado (aqueles que apresentam ambas as características). As causas do TDAH ainda não são completamente esclarecidas, havendo evidências de que o componente genético exerça forte influência na ocorrência do transtorno. O diagnóstico do TDAH deve ser feito por um médico, preferencialmente um psiquiatra. Outros profissionais podem ajudar na identificação de sinais do transtorno devendo então encaminhar o indivíduo para o diagnóstico médico.
Sintomas de desatenção:
• Não presta atenção a detalhes ou comete erros descuidados em trabalhos escolares ou outras atividades.
• Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas na escola ou durante jogos.
• Não parece prestar atenção quando abordado diretamente.
• Não acompanha instruções e não completa tarefa.
• Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
• Evita, não gosta ou é relutante no envolvimento em tarefas que requerem
manutenção do esforço mental durante longo período de tempo.
• Frequentemente, perde objetos necessários para tarefas ou atividades escolares.
• Distrai-se facilmente.
• É esquecido nas atividades diárias.
Sintomas de hiperatividade e impulsividade:
• Movimentar ou torcer mãos e pés com frequência.
• Frequentemente, movimenta-se pela sala de aula ou outros locais.
• Corre e faz escalada com frequência excessiva quando esse tipo de atividade é inapropriada.
• Tem dificuldades de brincar tranquilamente.
• Frequentemente, movimenta-se e age como se estivesse “ligada na tomada”.
• Costuma falar demais.
• Frequentemente, responde às perguntas de modo abrupto, antes mesmo que elas sejam completadas.
• Frequentemente, tem dificuldade de aguardar sua vez.
• Frequentemente, interrompe os outros ou se intromete
TDAH NO ADULTO: Estudos também documentaram a validade do diagnóstico de TDAH entre adolescentes mais velhos e adultos jovens. A redução dos sintomas de hiperatividade/impulsividade é mais significativa do que a dos sintomas de desatenção. Assim, a apresentação mais frequente encontrada em adultos é o TDAH com sintomas predominantemente desatentos.
A hiperatividade pode, em curto prazo, ser compensada por constantemente realizar atividades esportivas ou constantemente procurar algo para fazer. Por vezes, também se manifesta em conversas excessivas, incapacidade de parar de falar ou de manter atividades ou sacudir-se sem parar. O TDAH também é descrito como “o freio está desligado”, referido por muitos pacientes com hiperatividade.
Comportamentos impulsivos, como agir sem pensar ou deixar escapar coisas, gastar muito dinheiro ou rápido demais, executar planos imediatamente, renunciar a empregos intempestivamente, iniciar relacionamentos de forma súbita e não conseguir adiar a satisfação das necessidades, podem se manifestar. Tais comportamentos geralmente afetam relacionamentos com outras pessoas e com empregadores, bem como impactam a situação financeira da pessoa.
Compulsões impulsivas também ocorrem com frequência, muitas vezes para combater a inquietação ou a incapacidade de adiar a satisfação das necessidades. Compulsão alimentar pode explicar por que os adultos com TDAH geralmente sofrem com o excesso de peso.
HIPERFOCO: Há também no TDAH uma forma de superconcentração ou “hiperfoco”, em que a extensão na qual alguém pode ficar sem se distrair é problemática. Esse fenômeno ocorre, sobretudo, durante atividades que o paciente acha muito interessantes, como usar o computador ou conversar na internet.
Com isso, pode concentrar-se por horas a fio de maneira muito focada, sem interrupção. Isso possivelmente se deva, sobretudo, ao ambiente “recompensador” dinâmico da internet ou dos jogos, que prendem a atenção e estimulam o hiperfoco.
O TDAH pode, portanto, andar de mãos dadas com o déficit de atenção e a superconcentração periódica, e, portanto, ser visto como um distúrbio de desregulação da atenção (em vez de déficit). O problema não é que um paciente com TDAH não possa se concentrar, mas o fato de não conseguir empregar sua capacidade de concentração no momento adequado.
A EDUCAÇÃO SOBRE O TDAH: A educação de pacientes e familiares sobre o TDAH não se dá em algumas poucas conversas. Ela deve ser um processo contínuo, que lide com preocupações que se modificam conforme o indivíduo encontra novos desafios e atravessa estágios de desenvolvimento ao longo do tempo. A seguir, estão descritos alguns recursos úteis para pais, professores e outros interessados em informações atualizadas sobre o TDAH:
1. Dedique 10 minutos diários para definir uma lista de coisas a fazer, mas não liste mais que 2 a 5 itens, pois assim a lista se manterá realizável.
2. Use uma agenda na qual possa anotar compromissos, horários, tarefas de trabalho e escola, bem como momentos reservados para atividades de recreação e autocuidado.
3. Revise sua agenda no começo do dia ou na noite anterior.
4. Preveja as distrações mais prováveis e as barreiras que podem impedir a realização de suas tarefas e crie formas de evitá-las.
5. Planeje atividades físicas, descanso adequado e horários de refeição regulares. – Considere que você conseguirá realmente cumprir seus planos apesar de sentir desconforto com eles (mesmo que não esteja no clima para a tarefa, acredite que você pode começá-la e terminá-la).
6. Use o débito automático para as contas recorrentes e lembretes eletrônicos para suas tarefas.
7. Antes de começar um novo projeto, assegure-se de que ele é realmente factível ou pondere se você não deveria recusá-lo.
8. Verifique diariamente sua correspondência e jogue fora o que não for necessário.
9. Para as tarefas que você precisa realizar, mas tem vontade de evitar, comece dedicando apenas 10 minutos, dando-se a opção de continuar além desse limite caso sinta-se pronto. Muitas vezes, começar é a parte mais difícil de uma tarefa.
TRATAMENTO: Os indivíduos variam consideravelmente em relação à dose necessária para resposta ótima do fármaco, duração da ação, frequência da dosagem e tendência para experimentar o efeito rebote quando a substância começa a sair do organismo. Sobretudo para os estimulantes, os efeitos clínicos variam entre os indivíduos, independentemente do peso, e são diferentes de muitos outros medicamentos usados em populações pediátricas. A presença de comorbidades, como ansiedade, depressão e transtorno do espectro autista, influencia os perfis de efeitos adversos dos medicamentos e como determinada dose de medicamento impacta a janela terapêutica, dentro da qual as respostas ao tratamento se tornam ótimas.
Algumas crianças necessitam de tratamento combinado para obter controle total sobre seus sintomas, os quais podem incluir uma combinação de desatenção, hiperatividade, impulsividade, desregulação emocional, alteração do humor, ansiedade e tiques. Uma seleção prudente e criteriosa de agentes apropriados para uma terapia combinada é baseada no conhecimento sólido de psicofarmacologia.
ESCOLHENDO O MEDICAMENTO:
Como já mencionado, existem vários medicamentos e diversas formulações licenciadas para o tratamento do TDAH. Portanto, é importante pensar sobre o tamanho do efeito dos medicamentos, a ordem na qual eles devem ser prescritos e em que circunstâncias essas regras gerais devem ser quebradas. Tomadas em conjunto, as evidências de ensaios clínicos sugerem que há poucas diferenças em termos de eficácia, segurança e tolerabilidade entre o metilfenidato e os medicamentos anfetamínicos, mas que esses psicoestimulantes são, pelo menos em relação à classe farmacológica, mais eficazes que os não estimulantes licenciados para uso no TDAH.
Portanto, é crucial reconhecer a importância da saúde mental e estar atento aos sinais que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode apresentar. Sendo assim, caso sinta algum sintoma relacionado ao TDAH, como dificuldade de concentração, impulsividade ou hiperatividade, é fundamental buscar ajuda de um médico psiquiatra. Somente através de uma avaliação correta e precisa será possível obter o diagnóstico adequado e o tratamento necessário para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar.
Com carinho, Drª. Cinthia Réus Coelho, médica psiquiatra em Criciuma – SC e fundadora da Clínica Cinthia Coelho.